A seção intitulada metodologia tem como objetivo descrever o tipo de pesquisa realizada em seu trabalho de conclusão. Nessa etapa, expõe-se a descrição (se necessário) dos instrumentos e fontes escolhidos para a coleta de dados: entrevistas, formulários, questionários, legislação, etc. Além disso, deve-se indicar o procedimento para a coleta de dados, que deverá acompanhar o tipo de pesquisa selecionado, por exemplo: para pesquisa bibliográfica, indica-se a proposta de seleção das leituras; para a pesquisa descritiva, indica-se o procedimento da observação: entrevista, questionário, análise documental, entre outros. Em suma, a metodologia descreve como o estudo foi feito a fim de atingir seus objetivos.

É possível (e aconselha-se) dividir a seção da metodologia em subseções para maior clareza. Uma sugestão de divisão é a seguinte: (1) descrição do tipo de pesquisa realizada; (2) descrição da caracterização da população e da técnica de amostragem; (3) descrição das técnicas e fontes usadas para a coleta de dados; e (4) descrição das técnicas e fontes usadas para as análises (estas devem ser apresentadas e discutidas na seção seguinte). Essa sugestão é dada pelos orientadores do curso de Administração das Faculdades Integradas São Judas Tadeu, cujos orientandos são nossos frequentes clientes. Cada uma dessas subseções é descrita em um sucinto manual, mas que consegue definir muito bem cada uma das etapas. Tendo em vista a grande utilidade deste material, transcrevemos a seguir a explanação das subseções que podem integrar a metodologia:

1. Delineamento da pesquisa

a) Definição do tipo de pesquisa quanto aos objetivos.

Geralmente pode ser classificada em exploratória, descritiva e explicativa (ou causal).

Entende-se por pesquisa exploratória aquela que visa proporcionar maior familiaridade com o fato ou fenômeno, a fim de torná-lo mais claro. Envolve um levantamento bibliográfico e documental, entrevistas não padronizadas, estudo de caso, entre outras técnicas.

Por pesquisa descritiva entende-se aquela que busca principalmente descrever, analisar ou verificar as relações entre fatos e fenômenos (variáveis), ou seja, tomar conhecimento do que, com quem, como e qual a intensidade do fenômeno em estudo.

A pesquisa explicativa é a que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê. A pesquisa explicativa tem em sua globalidade os estudos de uma pesquisa exploratória e descritiva e mais algumas particularidades que se revestem de elevado grau de controle e que, em alguns casos, podem ser classificadas como experimentais.

b) Definição do tipo de pesquisa quanto à abordagem.

Quantitativa: considera que tudo pode ser quantificável, as informações podem ser traduzidas em números para classificá-las e analisá-las. Requer o uso de técnicas estatísticas. O instrumento para a coleta de dados é sempre um questionário bem estruturado.

Qualitativa: considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito. Identifica e analisa dados não mensuráveis numericamente, como sentimentos, sensações, percepções, intenções. Não utiliza recursos estatísticos.

           

2. Definição da população/amostra

Descreve a população que é o objeto do estudo. Se o levantamento for amostral, identificar o método de amostragem: se probabilístico ou não probabilístico.

a) Amostragem não probabilística: existe uma escolha deliberada dos elementos que irão formar a amostra. Pode ser:

– por conveniência (ou acidental): a escolha depende da facilidade de acesso. por exemplo, as pessoas que estão passando em determinada esquina;

– intencional (ou por julgamento): existe uma intenção na escolha. escolhem-se indivíduos que podem contribuir significativamente para a pesquisa porque já conhecem o assunto;

– por cotas: a escolha é feita dentro de grupos previamente formados como sexo, idade, renda.

Não existem critérios ou fórmulas matemáticas para determinar o tamanho da amostra não probabilística. O pesquisador deve usar o bom-senso. O tamanho da amostra depende da variabilidade na população (caso exista muita diversidade, maior deve ser a amostra); depende do tipo de pergunta (muita dificuldade na compreensão, maior a amostra). Muitas vezes a decisão é tomada no momento da coleta dos dados. Se algumas perguntas não são respondidas adequadamente ou deixadas em branco, deve-se selecionar um grupo maior de respondentes.

b) Amostragem probabilística (ou aleatória): é aquela que garante probabilidades iguais para todos os elementos da população. Pode ser: aleatória simples; sistemática; estratificada ou de conglomerados. É o único método de amostragem que permite generalizações para a população de onde a amostra é proveniente.

 

3. Técnicas e procedimentos de coleta

No caso de pesquisa quantitativa, pode-se usar:

Entrevista: envolve o entrevistador e o entrevistado. O contato pode ser face a face ou à distância (ex.: telefone, e-mail, chat).

Questionário: as perguntas são respondidas sem a presença do pesquisador. Podem ser entregues pessoalmente ou pelo correio, e-mail, etc.

Nas entrevistas e questionários, é recomendável fazer um pré-teste do instrumento de coleta, aplicado a 2-3 pessoas que não farão parte da amostra, mas com características tão semelhantes a esta quanto possível. Lembrando que nas pesquisas quantitativas este número deve ser bem mais elevado, dependendo do tamanho e da variabilidade da amostra, do tipo de perguntas, etc.

Já no caso de pesquisa qualitativa, pode-se fazer uso de entrevista em profundidade, observação, discussão em grupos focais, documentos, história de vida, etc.

 

4. Técnicas e procedimentos de análise

No caso de uma pesquisa quantitativa, permite-se o emprego de análises estatísticas como, por exemplo, distribuições de frequência, medidas de tendência central, medidas de dispersão, correlações e representações gráficas.

Para pesquisas qualitativas, aplica-se a análise de conteúdo, que é utilizada principalmente para análise qualitativa das entrevistas, das observações, das questões abertas em questionários etc., buscando o significado dos dados coletados. Reduz a complexidade e a extensão dos conteúdos através de alguma classificação (categorias) apresentada de forma sistematizada e/ou contagem de unidades (palavras ou termos) contidas nas respostas ou texto. Quando a coleta é guiada por alguma estrutura ou modelo teórico, seus elementos são as categorias.

Concluída a metodologia, inicia-se a seção de análise dos dados, que será assunto de nossa próxima postagem.

Não acompanhou os passos anteriores da construção de um TCC? Ainda dá tempo, basta clicar nos links a seguir:

1) TCC passo a passo: a introdução.

2) TCC passo a passo:os objetivos.

3) TCC passo a passo: a justificativa.

4) TCC passo a passo: o referencial teórico.