O parágrafo é uma estrutura superior à frase, que desenvolve uma única ideia-núcleo. Um parágrafo padrão é dividido em duas partes: tópico de parágrafo e desenvolvimento.  Podemos comparar a estrutura de um parágrafo a uma mesa: seu topo é o tópico, onde apresentamos a ideia, enquanto as pernas da mesa são o desenvolvimento, que sustenta a ideia apresentada no início.

Há vários tipos de tópico de parágrafo, entre os quais podemos citar: declaração inicial, alusão histórica, interrogação e omissão de dados identificadores. Vamos aos exemplos!

O tópico em forma de declaração inicial trata de iniciar o parágrafo fazendo uma declaração, como no exemplo a seguir: “O hábito de correr, benéfico para o coração, os pulmões e a manutenção da forma física, também origina sérios problemas, principalmente ortopédicos”.

Já o tópico em forma de alusão histórica faz alusão a um fato acontecido, real ou fictício. Por exemplo: “Em algum dia perdido na noite, há cerca de seis mil anos, o homem lançou seu primeiro barco na água”.

O terceiro tipo de tópico é a interrogação, em que a ideia-núcleo é colocada por intermédio de uma pergunta. Seu desenvolvimento é feito como resposta à pergunta: “De que maneira uma nação pode conciliar seu desenvolvimento com uma pesada dívida externa?”

Por fim, a omissão de dados identificadores, que é um tipo pouco utilizado, visa a criar um certo suspense ao leitor por meio da ocultação de elementos que somente vão aparecer no desenvolvimento do parágrafo. Um exemplo seria: “De uns tempos para cá, tem surgido um elemento novo no cenário nacional. Extremamente movediço, ele sempre aparece onde não se espera. Se o espreitamos, ele se esconde, em hibernação cautelosa”.

O desenvolvimento do parágrafo dependerá, obviamente, da macroestrutura do texto. Há certos tipos de desenvolvimento mais adequados ao texto argumentativo; outros, ao discurso narrativo. No entanto, vamos citar algumas possibilidades de desenvolvimento a partir do seguinte tópico: “A vida agitada nas grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração.”

Desenvolvimento por detalhes

A vida agitada nas grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. O tráfego intenso, o ruído do tráfego, as preocupações geradas pela pressa, o almoço corrido, o horário de entrar no trabalho, tudo isso abala as pessoas, produzindo o estresse que ataca o coração.

Desenvolvimento por definição

A vida agitada nas grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. Vida agitada é aquela em que o indivíduo não tem tempo para cuidar de si próprio, à mercê dos compromissos assumidos e do tempo exíguo para cumpri-los. Entre as doenças do coração, a mais comum é a que ataca as artérias coronárias, assim chamadas porque envolvem o coração, como uma coroa, para irrigá-lo em toda a sua topologia.

Desenvolvimento por exemplo específico

 A vida agitada nas grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. Imaginemos um chefe de família que deixa sua casa às 6h30 da manhã. Logo de início, tem de enfrentar a fila da condução. A angústia da demora: será que vem ou não vem o ônibus? Finalmente, vem. Superlotado. Sobe ele, aos trancos, e logo enfrenta a roleta. – Troco? – Não tem troco pra cem. – Espera um pouquinho pra passar na roleta. – Agora tem, pode passar. Finalmente o ponto de descida. O relógio-ponto. Em cima da hora. Nesse momento, o relógio do coração do nosso amigo já passou do ponto. Está acelerado. Suas coronárias sofrem sob o impacto do estresse e entram em débito de fluxo sanguíneo.

Desenvolvimento por fundamentação da proposição

A vida agitada nas grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. Somente na última década, segundo informações da Secretaria da Saúde de São Paulo, o paulistano infartou vinte vezes mais do que no decênio anterior. O estresse causado pela vida intensa acelera os batimentos cardíacos, por intermédio da injeção exagerada de adrenalina, e apressa o surgimento dos problemas do coração.

Desenvolvimento por comparação

A vida agitada nas grandes cidades aumenta os índices de doenças do coração. Imagine, por exemplo, um automóvel dirigido suavemente, com trocas de marcha em tempo exato, sem freadas bruscas ou curvas violentas. A vida útil desse veículo tende a prolongar-se bastante. Imagine agora o contrário: um automóvel cujo proprietário se compraz em arrancadas de “cantar pneus”, curvas no limite de aderência, marchas esticadas e freadas violentas. A vida útil deste último tende a decair miseravelmente. O mesmo podemos fazer com nosso coração. Podemos conduzi-lo com doçura, em ritmo de alegria e festa, ou podemos tratá-lo agressivamente, exigindo-o fora de seu ritmo e de seu tempo de recuperação.

Como você pôde ver, não é tão difícil desenvolver um parágrafo. Basta começar! A prática ajuda a aperfeiçoar sua produção textual.

Cabe destacar, por fim, que essas são apenas sugestões de estrutura, sem a intenção de esgotar as possibilidades de construção de um parágrafo.

 

Adaptado de: ABREU, Antônio Suárez. Curso de Redação. 12. ed. São Paulo: Ática, 2010.